Módulo 4 – Curso pós-graduado – VIH e Envelhecimento

Renal Disease in HIV Infected and HIV/HCV Co-infected patients

Impacto clínico: epidemiologia e fatores de risco para doença renal em doentes infetados por VIH e coinfetados por VIH/VHC

Autor: Prof. Doutor Esteban Martínez, MD, PhD (Hospital Clínic de Barcelona – Universitat de Barcelona, Espanha)

Impacto de infeção por VHC na doença renal

A evidência mostra que o risco de desenvolver DRC, após infeção por VHC, está significativamente aumentado (cerca de 34%) nos indivíduos com valores reduzidos de eTFG (<30 mL/min/1,73m2) e com maior duração de exposição a VHC.32 Outros fatores como a carga vírica de VHC, o genótipo de VHC, genótipo de interleucina IL-28 e ainda a extensão de fibrose, também afetam a função renal.

Por sua vez, os doentes coinfetados por VIH e VHC apresentam um risco elevado para outras condições extra-hepáticas, tais como, risco de doença cardiovascular e acidente vascular cerebral (AVC), doença renal, fraturas ósseas e neuroinflamação.33-36 A ocorrência de cirrose hepática também provoca retenção de fluidos, o que pode condicionar a função renal. Em geral, uma pessoa coinfetada por VIH/VHC desenvolverá uma disfunção renal mais rapidamente, caso apresente riscos associados. Embora seja cada vez mais raro, a utilização de diuréticos em indivíduos com cirrose, pode provocar alterações hemodinâmicas e, originar disfunção renal secundária. Adicionalmente, o impacto da infeção por VHC também depende da ação de certos fármacos antivíricos de ação direta (DAA, direct acting antiviral) como, por exemplo, ledipasvir (LDV).

O tratamento de doentes coinfetados por VIH/ VHC com regimes de DAA, como por exemplo, LDV/sofosbuvir (SOF), parece promover a exposição de TDF, se coadministrado com regimes IP e, consequentemente, aumentar a toxicidade do fármaco.24,37-39 Neste contexto, repete-se a questão se estes efeitos extra-hepáticos serão eventualmente reversíveis após o tratamento e cura da infeção por VHC ou, se existirá um determinado ponto a partir do qual deixa de existir reversibilidade. Por último, em Espanha, tal como noutros países no Mundo, regista-se uma diminuição progressiva da prevalência de coinfecção por VHC em indivíduos infetados por VIH.

No estudo GeSIDA observou-se uma diminuição dos casos de se- roprevalência de hepatite C (anticorpos anti-VHC) e de infeção ativa por VHC em 37,7% e 22,1%, respetivamente.40 Estes valores têm vindo a decrescer desde 2002, o que demonstra uma alteração no padrão epidemiológico e um impacto positivo das novas terapêuticas mais eficazes.

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