Módulo 3 – Curso pós-graduado – VIH e Envelhecimento

Neurocognitive Disorders in HIV Infected Patients

Perspetivas sobre alterações neurocognitivas na infeção por VIH – mesa redonda

Autor: Dr. Fausto Roxo (Hospital Distrital de Santarém)

O desafio no manejo clínico dos doentes com alterações neurocognitivas

As últimas décadas mostram a mudança de paradigma na doença por VIH, de uma população doente jovem para uma população envelhecida, com outras comorbilidades, incluindo as alterações neurocognitivas.

De facto, os regimes terapêuticos atuais permitem o controlo da infeção por VIH, com CV indetetável, bons níveis de linfócitos T CD4+ mas os doentes surgem com novas queixas:

  • alterações de memória, não se recordarem de nomes de amigos ou familiares
  • perturbações do sono, pesadelos
  • esquecerem-se de onde estão, do seu nome
  • tristeza, depressão

Nestes doentes envelhecidos, com alterações cerebrovasculares mais ou menos marcadas, isquémicas ou outras, existe um conjunto de fatores de risco a ter em conta na prática clínica em infeciologia, como diabetes, doença cardiovascular, dislipidemias, hipertensão. Contudo, as alterações cognitivas não são identificadas apenas nos mais idosos, mas surgem também em faixas etárias mais jovens.

Para o manejo das alterações cognitivas associadas a VIH, as orientações da European AIDS Clinical Society (EACS) propõem um algoritmo muito complexo, com consequências na organização dos hospitais de dia, em termos humanos e físicos. Assim, além da importância da história clínica, é necessário avaliar fatores associados a VIH – controlo da infeção, TARV, consumo de drogas, alterações psiquiátricas prévias ou outras doenças. Nesta avaliação, é muitas vezes necessária uma avaliação neurológica, uma avaliação psiquiátrica ou, eventualmente, a colaboração de outras especialidades. Outro aspeto importante é a utilização e disponibilidade dos meios complementares de diagnóstico, invasivos ou não invasivos, como a RM, TAC, punção lombar, PET scan.

O controlo da infeção por VIH, com um regime antirretrovírico que deverá ser, preferencialmente, adaptado caso a caso, e a avaliação e manejo das comorbilidades são aspetos fundamentais. Assim, os hospitais de dia deparam-se com novos desafios, como a modificação progressiva da estrutura das nossas equipas, dos próprios espaços e equipamentos. A equipa para tratamento da infeção por VIH, com algumas variações, normalmente constituída por internistas e infeciologistas, implica agora o envolvimento de outras especialidades, preferencialmente, de forma sistemática. Por outro lado, é necessário incluir os próprios cuidadores destes doentes, que podem apresentar dependência em grau variável. Nesse sentido, a colaboração dos médicos de medicina geral e familiar e de outras organizações pode ser relevante.

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