Módulo 1 – Curso pós-graduado – VIH e Envelhecimento

Drug-drug Interactions and Polypharmacy in Older HIV Persons

O uso de antirretrovíricos em indivíduos idosos

Autor: Dr. Joaquim Oliveira (Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra)

Infeção recém-diagnosticada no idoso versus envelhecer com a infeção

As situações de diagnóstico recente e os indivíduos que têm uma longa experiência de tratamento da infeção por VIH são dois cenários diferentes na gestão da infeção por VIH (ver também os casos clínicos 2 e 3).

Nos indivíduos diagnosticados de novo, propõe-se que sejam seguidas as recomendações habituais para o tratamento nos adultos. Poderá ser razoável ajustar a terapêutica de forma a evitar toxicidades e interações medicamentosas que, não se verificando na consulta de início de tratamento, possam vir a ocorrer no futuro.7 As opções são mais limitadas quando existem comorbilidades mas o controlo da infeção por VIH é prioritário. Assim, nos doentes acima dos 50 anos com comorbilidades, tendo em conta que a prioridade na fase inicial é o controlo da virémia, deverá ser iniciado um esquema de entre os recomendados de primeira linha. Contudo, o uso do ABC deve ser evitado se o risco cardiovascular for muito elevado (acima de 20%).

Com a virémia controlada ao fim de três a seis meses, poderá ser necessário ajustar o esquema de forma a garantir a menor toxicidade possível e o menor impacto nas outras comorbilidades. Assim, poderá ser escolhido um esquema terapêutico mais seguro, preferencialmente entre esquemas com resultados de utilização clínica alargada e não apenas de experiência limitada. Em relação ao backbone, a lamivudina (3TC) ou a emtricitabina (FTC) poderão ter um papel importante na construção de esquemas terapêuticos alternativos desde que não existam resistências. Por exemplo, um IP com 3TC demonstrou algum benefício, particularmente em simplificação. Outros esquemas como um inibidor da integrase (RAL) com 3TC, com etravirina (ETR) ou com maraviroc (MVC), por exemplo, carecem de mais informação. É reconhecido que as novas recomendações americanas limitam a escolha do terceiro fármaco ao DRV e a inibidores da integrase. Contudo, a estratégia deve ser individualizada e não devem ser excluídos outros esquemas que possam incluir os IP e os INNTR.

Nos indivíduos que foram envelhecendo com a infeção por VIH, o aparecimento de novas comorbilidades implica muitas vezes a revisão da terapêutica antirretrovírica. Assim, é necessário ter em atenção vários fatores como a taxa de filtração glomerular, o risco cardiovascular, as medicações concomitantes ou outros suplementos que os doentes podem não reportar, verificar as interações medicamentosas e comorbilidades e ter atenção a situações em que a adesão ao tratamento pode ficar comprometida, como quando ocorrem alterações neurocognitivas. Muito frequentemente, os esquemas poupadores de nucleosídeos acabam por ser uma opção para reduzir ou prevenir situações de toxicidade. Estas opções não estão completamente consolidadas em primeira linha mas muitos destes esquemas permitem reduzir a virémia e mantê-la indetetável, embora fosse útil a informação de ensaios clínicos mais prolongados.

Logo MSD Termos de utilização | Política de Privacidade | Sobre a MSD Copyright © 2018 Todos os direitos reservados. Merck Sharp & Dohme Corp.,uma subsidiária da Merck & Co., Inc. Kenilworth, NJ, USA, conhecida fora dos EUA e Canadá como MSD. Os conteúdos disponibilizados nesta página Web são informação de carácter geral e não substituem em nenhum caso as consultas, tratamentos ou as recomendações do seu médico. INFC-1273571-0000 11/2018