Módulo 3 – Curso pós-graduado – VIH e Envelhecimento

Neurocognitive Disorders in HIV Infected Patients

Perspetivas sobre alterações neurocognitivas na infeção por VIH – mesa redonda

Autor: Prof. Doutor Miguel Bragança (Centro Hospitalar de São João)

O contributo da psiquiatria em HAND

O nosso centro realizou, ao longo de um ano, uma extensa investigação clínicatendo como objetivos caracterizar o desempenho neurocognitivo e avaliar a prevalência da depressão nos doentes com VIH, procurando preditores de deterioração. Esta experiência mostrou-nos os de safios e as dificuldades na aplicação sistemática de instrumentos de avaliação do funcionamento cognitivo nos seus diversos domínios, quer na investigação quer na prática clínica.

Além da necessidade de recursos humanos especializados (neuropsicologia), a utilização de baterias com testes e sub-testes que avaliem tarefas cognitivas importantes relacionadas com a infeção, com comprovada fiabilidade e validade na medição do rendimento neurofuncional, mostrando uma grande sensibilidade e especificidade, é complexa, onerosa e demorada. Instrumentos simples, reduzidos e de fácil interpretação são uma alternativa muito pouco fiável, sobretudo quando se pre- tendem avaliar défices cognitivos ligeiros, na maior parte das vezes assintomáticos.

Acrescem, ainda, as limitações próprias da população infetada por VIH. Por exemplo, a população acompanhada no nosso Centro Hospitalar possui escassos rendimentos, apresenta baixa reserva cognitiva e baixa literacia, além de múltiplas comorbilidades médicas importantes, que limitam a interpretação dos resultados encontrados.

Um outro aspeto que requer uma avaliação adequada prende-se com a elevada prevalência de depressão na população geral, bem como nestes doentes, o que pode interferir com o desempenho e, por conseguinte, com os resultados dos testes neuropsicológicos. Assim, o diagnóstico diferencial da depressão e do stresse crónico, sobretudo em indivíduos com alterações neurocognitivas assintomáticas e ligeiras, pode ser quase impossível na ausência de instrumentos muito sensíveis.

Isto significa que precisamos de testes mais práticos, mais específicos da função cognitiva e mais direcionados para as fases iniciais de HAND (ANI e MND). Isto porque a sua utilidade na demência associada a VIH será menos relevante para a prática clínica, uma vez que o diagnóstico poderá ser estabelecido com recurso a outra informação clínica e imagiológica.

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