Módulo 3 – Curso pós-graduado – VIH e Envelhecimento

Neurocognitive Disorders in HIV Infected Patients

Perspetivas sobre alterações neurocognitivas na infeção por VIH – mesa redonda

Autor: Dra. Isabel Nabais (Hospital de Santa Maria – Centro Hospitalar Lisboa Norte)

Avaliação de alterações neuropsicológicas

No dia-a-dia da prática clínica, a equipa de Psicologia e Psiquiatria do Serviço de Doenças Infeciosas, recebe frequentemente doentes que referem queixas de alterações comportamentais, de concentração e memória, diminuição do seu bem-estar, alterações do padrão do sono, do humor ou irritabilidade. Muitas vezes são queixas vagas e difusas, podendo ser empiricamente associadas a síndromes depressivos, mas às quais é necessário estar atento, principalmente no contexto da avaliação e diagnóstico diferencial de alterações neuropsicológicas e do seu impacto na adesão ao tratamento e na qualidade de vida.

Trata-se de uma avaliação multidisciplinar, que se inicia por uma história clínica muito detalhada, pela avaliação das queixas do doente, do seu nível de funcionamento social e das atividades de vida diária. A partir desta informação, é decidido se será necessário avançar para uma avaliação mais complexa, a nível laboratorial, imagiológico ou de aplicação de testes específicos. De facto, existem vários testes neuropsicológicos e as baterias a aplicar são extensas e requerem pessoal especializado, pelo que uma correta triagem inicial é crucial para definir quais os doentes a quem devem, realmente, ser aplicadas.

Entre as várias escalas de triagem disponíveis, o Montreal Cognitive Assessment (MoCA) é considerado o gold standard na avaliação de deterioração neurocognitiva. No contexto da infeção por VIH, as escalas construídas para avaliação de demência são a HIV Dementia Scale (HDS) e a International HIV Dementia Scale (IHDS), ambas com capacidade para detetar as alterações moderadas ou graves, mas que têm alguma dificuldade na deteção de alterações ligeiras. Neste momento, a IHDS é a mais utilizada, mas em conjugação com outros testes. Atualmente, está a ser conduzido um estudo de validação da IHDS na população portuguesa, com posterior avaliação da demência e de outras alterações neurocognitivas na população portuguesa infetada por VIH.

A avaliação neuropsicológica em doentes portadores de infeção por VIH requer uma constante adequação aos conhecimentos nesta área, com atenção às mudanças de um padrão predominante de lentificação motora e alterações da memória, para um outro padrão de défices que inclui também áreas relacionadas com a aprendizagem e outras funções executivas.

Ao nível da intervenção, após o tratamento das possíveis comorbilidades associadas que modulam a severidade ou prognóstico dos défices detetados, existem também várias estratégias terapêuticas a ser desenvolvidas, que passam pela intervenção psicoterapêutica centrada no doente e na família/cuidadores, pela psicoeducação e por intervenções de treino comportamental e social, com recurso a técnicas de recuperação/compensação que visam a reabilitação e/ou a remediação cognitivas, cujo foco é a introdução de melhoria na qualidade de vida e, se possível, o retorno a um quotidiano funcional.

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