Módulo 2 – Curso pós-graduado – VIH e Envelhecimento

Non-AIDS Defining Cancers Among HIV Infected People

Perspetivas clínicas sobre neoplasias não definidoras de SIDA – mesa redonda

Autor: Dr. António Domingos (Serviço de Pneumologia – Hospital de Torres Vedras, Centro Hospitalar do Oeste)

Rastreio na neoplasia do pulmão

O rastreio da neoplasia do pulmão é alvo de alguma controvérsia. Como estratégia de prevenção secundária, o rastreio tem como objetivo a deteção precoce de problemas de saúde em indivíduos potencialmente em risco de desenvolver a doença em estudo, mas assintomáticos no momento da avaliação. Além disso, na sequência de um rastreio, é esperada a implementação de medidas apropriadas que permitam a evolução favorável do problema de saúde, com a cura ou redução das suas consequências mais relevantes. Ou seja, interessa fazer o rastreio nas situações que queremos tratar.

Apesar do prognóstico ser ainda pouco favorável, o tratamento do cancro do pulmão tem vindo a evoluir, a par com a identificação de algumas mutações relevantes (como do gene EGFR e a translocação do gene ALK). Assim, o rastreio poderá ser uma mais-valia, nomeadamente para pessoas com mais de 50-55 anos e com uma forte exposição ao fumo do tabaco.

Como fazer o rastreio do cancro do pulmão? Vários estudos têm demonstrado que a radiografia ao tórax (seriada) não reduz a mortalidade, pelo que não é atualmente recomendada para o rastreio do cancro do pulmão. Um estudo aleatorizado, o National Lung Screening Trial, de avaliação da capacidade diag- nóstica da radiografia ao tórax e da TAC torácica de baixa dose, numa população com risco elevado (fumadores com consumo 30 unidades-maço/ano) verificou uma diminuição da mortalidade de 20% nos indivíduos que fizeram TAC torácica de baixa dose mas com 96% de falsos positivos, ou seja para os quais não se comprovou que tinham os nódulos superiores a quatro milímetros nem que tinham cancro do pulmão. Estes resultados colocam-nos perante alguns problemas, como o sobrediagnóstico de cancros do pulmão que não afetariam a sobrevivência do doente, e a necessidade de dispor de tratamento adequado para os casos identificados.

Na população infetada por VIH, o cancro do pulmão parece surgir em indivíduos mais novos (perto dos 40-50 anos) e com maior risco em indivíduos com baixas contagens de linfócitos T CD4+. Não existem dados suficientes sobre quais os grupos de doentes infetados por VIH mas os grandes grupos de risco (aci- ma dos 40 anos, fumador desde há 30 anos ou até há menos de 15 anos) e com linfócitos T CD4+ acima de 200 poderão ter maior benefício de programas de rastreio. Na perspetiva de otimização de recursos, a estratégia poderá ser uma primeira radiografia ao tórax e, se existir uma lesão suspeita, procurar confirmar com TAC de alta resolução. Nos sítios com TAC de baixa dose disponível e no contexto de uma equipa multidisciplinar que possa oferecer tratamento ao doente, esta será a técnica de rastreio preferencial.

Logo MSD Termos de utilização | Política de Privacidade | Sobre a MSD Copyright © 2018 Todos os direitos reservados. Merck Sharp & Dohme Corp.,uma subsidiária da Merck & Co., Inc. Kenilworth, NJ, USA, conhecida fora dos EUA e Canadá como MSD. Os conteúdos disponibilizados nesta página Web são informação de carácter geral e não substituem em nenhum caso as consultas, tratamentos ou as recomendações do seu médico. INFC-1273571-0000 11/2018