Módulo 2 – Curso pós-graduado – VIH e Envelhecimento

Non-AIDS Defining Cancers Among HIV Infected People

Perspetivas clínicas sobre neoplasias não definidoras de SIDA – mesa redonda

Autor: Dr. Jorge Velez (Hospital de Aveiro – Centro Hospitalar do Baixo Vouga)

Neoplasias gastrintestinais

O hepatocarcinoma é uma neoplasia frequentemente associada à cirrose: cerca de 90% de todos os hepatocarcinomas ocorrem na cirrose. Assim, também os doentes infetados por VIH e cirróticos por causa não infeciosa (alcoólica ou outra), devem ser rastreados. Na co-infeção por vírus da hepatite B (VHB), as recomendações da European AIDS Clinical Society (EACS) referem que todas as pessoas com hepatite B devem ser rastreadas, independentemente da fibrose. As recomendações da European Association for the Study of the Liver (EASL) e da American Association for the Study of Liver Diseases (AASLD), por seu lado, indicam que devem ser rastreadas as pessoas que pertencem a grupos com maior risco de ter hepatocarcinoma: como referido, os cirróticos mas também os asiáticos (homens com mais de 40 anos, mulheres com mais de 50 anos), os africanos (homens ou mulheres com mais de 20 anos) e aqueles com história familiar de hepatocarcinoma. Os doentes com hepatite C crónica e infeção por VIH e que tenham fibrose avançada (F3), também poderão ser rastreados, principalmente pela frequente dificuldade em diferenciar F3 de F4. Os doentes com hepatite C ou B curada mas que apresentem fibrose avançada e/ou outros fatores preditores negativos, também deverão continuar a sua vigilância. O rastreio do hepatocarcinoma deve ser efetuado por ecografia abdominal a cada seis meses e, eventualmente, com medição da AFP (esta consta apenas nas recomendações da EACS).

Em relação ao cancro do canal anal, as recomendações da EACS preconizam a realização anual do toque rectal e, sempre que houver queixas, a realização de um exame mais dirigido. As mesmas recomendações, tal como as recomendações do estado de Nova Iorque, referem a realização de citologia anal para os homens que têm relações sexuais com homens e idade superior a 30 anos. Eventualmente, a citologia anal pode ser recomendada no rastreio de todos os homens e mulheres, independentemente da orientação sexual, que tenham condilomatose perianal.

A citologia anal não tem grande sensibilidade para o diagnóstico de doença invasiva, mas permite identificar anomalias, que podem depois levar à realização de anuscopias de alta resolução e biópsia, se adequado. Contudo, não é ainda evidente o custo-efetividade do tratamento das lesões iniciais, no sentido de impedir a progressão para doença de alto grau. Neste contexto, sublinha-se que, enquanto na população em geral o cancro do canal anal é geralmente localizado, os infetados por VIH apresentam frequentemente doença localmente invasiva e/ou à distância.

No cancro colo-rectal, os doentes infetados por VIH têm mais frequentemente lesões do cólon direito e menos lesões esquerdas, geralmente estenosantes e sintomáticas. Ou seja, apresentam lesões predominantemente sangrantes, silenciosas, que provocam anemia e, eventualmente, queixas gerais. Estas lesões mais distais poderão ser identificadas se o rastreio for realizado por colonoscopia. A retossigmoidoscopia, exame não preferencial nestes doentes, pode levar a que as lesões distais não sejam diagnosticadas. Com exceção deste aspeto, os doentes com infeção por VIH devem, de igual modo, ser rastreados para o cancro colo-rectal e, pelo menos, tão frequentemente como a população em geral.

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