Módulo 3 – Curso pós-graduado – VIH e Envelhecimento

Neurocognitive Disorders in HIV Infected Patients

Epidemiologia das alterações neurocognitivas nos doentes infetados por VIH

Autor: Dr. Joaquim Oliveira, MD (Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Coimbra, Portugal)

Evolução temporal de HAND

Os dados da coorte Multicenter AIDS Cohort Study (MACS), que segue homens, infetados por VIH, que fazem sexo com homens, reportam uma prevalência de HAND sem alterações relevantes ao longo do tempo. Nos biénios 2007-2008 e 2009- 2010, a prevalência global foi de 25%, com um ligeiro aumento no biénio 2011-2012 para 31%.14 A proporção entre estas dif- erentes alterações manteve-se constante para a HAD, com al- guma variação nas MND e uma maior variação na ANI, o que pode ser justificado por esta última categoria ser de mais difícil caracterização e por os doentes poderem apresentar mais os- cilações entres estados assintomáticos e alterações detetáveis nos testes neuropsicológicos ou, mesmo, estados mais graves de demência.

Sacktor et al. observaram também que, em 197 indivíduos infe- tados por VIH e que foram seguidos por um período de quatro anos, 77% permaneceram na mesma categoria de HAND, 13% apresentaram agravamento da sua condição neurocognitiva e 10% melhoraram a sua HAND. Um diagnóstico de comprome- timento neurocognitivo assintomático foi associado a um risco duas vezes superior de evolução para alteração sintomática em comparação com um diagnóstico de cognição normal.14

Os dados longitudinais da coorte MACS apresentam também alguns resultados sobre a evolução das HAND ao longo do tempo. Cole et al.15 compararam, em indivíduos inicialmente assintomáticos, o grupo de indivíduos seronegativos para VIH (controlo, n=237) com três grupos de doentes seropositivos para VIH:

  • Doentes sob HAART com cargas víricas indetetáveis (n = 83)
  • Doentes sem SIDA mas sem TARc durante pelo menos 15 anos (n = 29)
  • Doentes sem SIDA ou sem contagens de linfócitos T CD4+ inferiores a 200 células/µL no início e no final do estu- do (n = 233)

Ao longo de cinco anos, os participantes foram avaliados quan- to ao seu desempenho neurocognitivo, através de testes pa- dronizados. Apesar de ter sido observada a diminuição do de- sempenho neurocognitivo com a idade, não foram verificadas diferenças ao longo do estudo para qualquer dos três grupos assintomáticos, em comparação com o grupo controlo.15

O estudo CHARTER avaliou também a incidência e preditores de alterações neurocognitivas durante um período médio de 35 meses em 436 participantes com infeção por VIH. Os partic- ipantes foram avaliados, em termos clínicos e laboratoriais, de seis em seis meses e foi realizada uma análise de sobrevivên- cia para avaliar os fatores associados às alterações neurocogni- tivas (declínio vs. estável vs. melhoria).16

Em 436 doentes infetados por VIH, 61% permaneceram es- táveis e 16% melhoraram, mas 23% pioraram o seu desempen- ho neurocognitivo, ou seja, quase um quarto dos doentes apre- sentaram agravamento da sua condição. Os fatores associados ao risco de progressão foram a existência de comorbilidades, como outras infeções, utilização de drogas ou outros distúrbios neurológicos, a falta de controlo da infeção por VIH (falha no tratamento, baixa contagem de linfócitos T CD4+, ou ambos), além de outras características demográficas, o quociente de inteligência e o diagnóstico de alterações psiquiátricas.16

Um outro estudo analisou 347 participantes da coorte CHARTER, dos quais 226 não apresentavam alterações neuro- cognitivas e 121 apresentavam ANI na avaliação em baseline.17 As avaliações neurocognitivas ocorreram aproximadamente a cada seis meses, com seguimento mediano de 45,2 meses. O risco de progressão para alterações sintomáticas foi deter- minado após ajuste para covariáveis basais e dependentes do tempo, incluindo contagem de linfócitos T CD4+, supressão virológica, tratamento antirretrovírico e alterações do humor. Assim, verificou-se que o grupo ANI evoluiu mais rapidamente para uma alteração sintomática que o grupo sem alterações neurocognitivas, com um risco de 2,0 quando a alteração foi classificada com base no auto-relato de sintomas, 5,8 quando baseada em testes neuropsicológicos e 3,2 quando consid- erando o auto-relato ou os testes. A contagem de linfócitos T CD4+ e a depressão foram variáveis associadas à progressão.

Rourke et al. analisaram 679 adultos incluídos no estudo de coorte da Rede de Tratamento de HIV de Ontário, Canadá (estu- do OCS) e que eram neuropsicologicamente normais (n=357) ou tinham ANI (n=322) na avaliação inicial. Os testes neuropsi- cológicos foram realizados a cada 12 meses e os participantes foram seguidos por uma mediana de 34 meses18. Neste perío- do, verificou-se que 143 indivíduos mostraram progressão para MND ou HAD, dos quais 54 (15%) não apresentavam alterações e 89 (27%) tinham ANI na avaliação inicial. Os par- ticipantes com ANI tiveram menor tempo de progressão para MND ou HAD, do que aqueles sem alterações na avaliação ini- cial, com um risco cerca de duas vezes superior.18

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