Módulo 1 – Curso pós-graduado – VIH e Envelhecimento

Drug-drug Interactions and Polypharmacy in Older HIV Persons

As interações farmacológicas no contexto das alterações neurocognitivas

Autor: Prof.ª Doutora Sílvia Ouakinin (Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Portugal; Hospital de Santa Maria Centro Hospitalar Lisboa Norte, Portugal)

Os fatores biológicos e psicológicos associados ao envelhecimento

A vulnerabilidade que se desenvolve ao longo da vida (retomando os conceitos anteriormente apresentados) é uma vulnerabilidade psicobiológica, que se altera em função de acontecimentos de nível biológico mas também em função de acontecimentos de nível psicológico.1,2 Por exemplo, alguns estudos têm observado que o encurtamento dos telómeros parece estar associado a uma vulnerabilidade ao stress desenvolvida em fases precoces da vida, mas também a sentimentos de solidão e ao isolamento social, enquanto fatores de risco para um envelhecimento menos bem sucedido ou para um processo de envelhecimento acelerado.3

Os vários fatores biológicos mencionados nas apresentações anteriores, nomeadamente, a síndroma metabólica, as alterações cardiovasculares, as toxicidades associadas aos fármacos, as interações farmacológicas, a ação direta e indireta de VIH sobre o sistema nervoso central, convergem para um processo de neuroinflamação. No caso do idoso, a neuroinflamação associada à idade – que alguns autores designam como inflammaging – tem sido muito estudada quer pelo seu papel nas alterações neurocognitivas, quer pela relação entre as alterações inflamatórias e a depressão.4-6

A patogénese das perturbações neurocognitivas associadas a VIH é multifatorial, incluindo mecanismos que envolvem o papel de células do sistema imunitário que, produzindo citoquinas pró-inflamatórias, ativam astrócitos e células da microglia que induzem e perpetuam a neuroinflamação, provocando disfunção e morte neuronal.7

Estudos recentes revelam que o risco cardiovascular, a história de eventos anteriores dessa natureza, bem como a idade, são fatores de risco que se associam a lesões neuronais em fases precoces da infeção e a um grau de neuroinflamação clinicamente significativo, mesmo em doentes crónicos com uma supressão vírica mantida. A utilização de técnicas imagiológicas como a ressonância magnética por espectroscopia demonstra a associação entre estes fatores e alterações significativas no córtex frontal (substância branca), núcleo caudado e córtex cingulado posterior, nestes doentes, face a um grupo de controlo seronegativo para VIH.8

Para além da toxicidade associada ao vírus, alguns autores salientam também a importância dos ARV no envelhecimento prematuro que se observa em doentes infetados por VIH e que poderia ser explicado por mecanismos associados a um aumento do stress oxidativo e a toxicidade mitocondrial.9

Além dos fatores biológicos, é importante referir alguns fatores de nível psicológico e psicossocial. Por exemplo, o status socioeconómico permite um melhor acesso a cuidados de saúde e modula vários aspetos da vivência das pessoas. Os fatores sociais e afetivos, como o isolamento social, o bom/mau enquadramento no grupo, na comunidade onde se vive, são variáveis importantes no que se refere às alterações neurocognitivas, à depressão e outras perturbações psiquiátricas, bem como à qualidade de vida dos doentes.10

Logo MSD Termos de utilização | Política de Privacidade | Sobre a MSD Copyright © 2018 Todos os direitos reservados. Merck Sharp & Dohme Corp.,uma subsidiária da Merck & Co., Inc. Kenilworth, NJ, USA, conhecida fora dos EUA e Canadá como MSD. Os conteúdos disponibilizados nesta página Web são informação de carácter geral e não substituem em nenhum caso as consultas, tratamentos ou as recomendações do seu médico. INFC-1273571-0000 11/2018