Módulo 3 – Curso pós-graduado – VIH e Envelhecimento

Neurocognitive Disorders in HIV Infected Patients

Epidemiologia das alterações neurocognitivas nos doentes infetados por VIH

Autor: Dr. Joaquim Oliveira, MD (Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Coimbra, Portugal)

Considerações finais

Verifica-se que, mesmo em países onde o tratamento antirretrovírico está amplamente disponível, cerca de metade dos doentes com infeção por VIH continuam a ter níveis de desempenho neurocognitivo inferiores ao esperado. A frequência das formas mais graves de HAND diminuiu na era TARc, aumentando a frequência de ANI e MND (33% das pessoas vivendo com VIH no estudo CHARTER, podem ser diagnosticadas com ANI). A distinção entre ANI e MND permanece difícil porque os doentes podem oscilar nos critérios correspondentes a estas duas categorias de HAND, sendo controversa a utilidade clínica da categoria ANI.26-28 Nesse contexto, as definições de pesquisa para ANI e MND podem ser demasiado inclusivas e levar à sobrestimação das alterações cognitivas. Outras limitações desta classificação são o reconhecimento de que a auto-avaliação e as medidas baseadas no desempenho estão ligadas a fatores educacionais, culturais e sociais, além de não conseguirem prever quem irá progredir na alteração cognitiva.27, 28 De facto, existem várias comorbilidades e outros fatores que podem contribuir para as alterações neurocognitivas ou alterar os resultados dos testes de avaliação, como:29

  • Comorbilidade psiquiátrica
  • Controlo da infeção por VIH (carga vírica, ativação imunitária, tratamento antirretrovírico)
  • Variáveis clínicas (idade, doenças cardiovasculares, diabetes, co-infeção por vírus da hepatite C, perturbações do sono)
  • Variáveis sociodemográficas (escolaridade, pobreza, trauma, literacia).

A pouca informação disponível sobre a progressão da ANI para MND, ou de MND para HAD, é reconhecida. Há alguma evidência de que os marcadores de progressão da infeção por VIH estão associados com o agravamento do desempenho neuropsicológico ao longo do tempo, nomeadamente as contagens baixas de linfócitos T CD4+, o diagnóstico de SIDA, a carga vírica elevada. Contudo, nenhum estudo utilizou uma classificação sistemática dos participantes nas categorias normais, ANI, MND ou HAD, de forma a determinar os fatores associados à progressão da doença.30

Não existem estudos sistemáticos que abordem até que ponto a alteração cognitiva pode ser reversível, tal como não existem dados sobre o papel de medidas preventivas. Além disso, são necessários instrumentos de monitorização do desempenho neurocognitivo que sejam simples, rápidos e fiáveis, possibilitando uma melhor intervenção na prática clínica.30

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