Módulo 3 – Curso pós-graduado – VIH e Envelhecimento

Neurocognitive Disorders in HIV Infected Patients

Perspetivas sobre alterações neurocognitivas na infeção por VIH – mesa redonda

Autor: Prof.ª Doutora Isabel Santana (Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra)

Uma perspectiva sobre o diagnóstico diferencial de demências

Há cerca de 30 anos, esperava-se que a demência associada a VIH fosse uma das causas mais relevantes de demência no século XXI. De facto, e de acordo com um estudo que efetuámos à época, cerca de 55% das pessoas diagnosticadas com infeção por VIH numa fase inicial apresentavam já défice neurocognitivo.

A evolução do tratamento antirretrovírico trouxe uma alteração desta tendência, o que é muito satisfatório em comparação com os tratamentos disponíveis para outras demências. Por outro lado, nestas outras demências, e particularmente na Doença de Alzheimer, houve um grande investimento e avanço na identificação de biomarcadores de diagnóstico precoce. Este conhecimento poderá ser útil no âmbito das alterações neurocognitivas associadas a VIH (HAND) até porque existe um paralelismo entre a conceptualização das diferentes fases da Doença de Alzheimer (fase pré-clínica, defeito cognitivo ligeiro e demência) e a HAND. Nesse sentido, a colaboração entre as áreas pode trazer mais informação para o tratamento das HAND.

Sabe-se que a demência associada a VIH tem um envolvimento sobretudo subcortical e, portanto, tem uma fenomenologia diferente das demências referidas como corticais (Doença de Alzheimer). Mesmo assim, os testes de rastreio de défice cognitivo desenvolvidos para estas últimas doenças (como o MoCA) podem igualmente ser utilizados para rastrear o défice cognitivo associado a VIH. Além dos aspetos de especificidade e sensibilidade inerentes a estas provas, chama-se a atenção que os testes devem estar adaptados, normalizados e validados para a população alvo (portuguesa), Este trabalho tem sido desenvolvido pelo nosso grupo nos últimos anos e está acessível em várias publicações.

Relativamente ao desempenho cognitivo será importante valorizar (para além da variável crítica que é a idade) outros fatores demográficos, sociais e culturais suscetíveis de influenciar o risco e evolução do declínio. Referem-se as diferenças de género, a literacia e a reserva cognitiva prévia.

No caso do indivíduo idoso e com infeção por VIH existem questões de diagnóstico importantes, uma vez que a incidência de demência degenerativa ou vascular nestes andares etários é muito elevada:

  • Como operacionalizar o diagnóstico diferencial de demência nesta situação?
  • Deverá equacionar-se serem situações concorrentes para o declínio cognitivo? Se sim, de que forma isso modifica a intervenção farmacológica?
  • Como enquadrar e valorizar o envelhecimento fisiológico, a reserva cognitiva (“legacy effect” associada a dano na infeção inicial) e fatores de risco genéticos comuns à demência degenerativa e à HAND (por exemplo ApoE)?
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